O silêncio começou a incomodar muita gente. E isso é mais sério do que parece. Hoje as pessoas dormem com televisão ligada, acordam olhando o celular, passam o dia ouvindo áudio, vídeo, música, notícia, podcast, conversa, notificação. Parece que existe uma necessidade permanente de preencher todos os espaços vazios. Pouca gente consegue mais simplesmente ficar em silêncio. E talvez isso esteja acontecendo porque o silêncio obriga a pessoa a entrar em contato consigo mesma. Obriga a pensar. Obriga a ouvir os próprios pensamentos. Obriga a desacelerar um pouco. Só que o mundo atual funciona exatamente ao contrário. Tudo é estímulo. Tudo disputa atenção. Tudo quer prender a pessoa o máximo possível dentro de uma tela. As redes sociais criaram um modelo de consumo rápido de informação. Vídeos cada vez menores, respostas cada vez mais rápidas, opiniões instantâneas sobre tudo. E o cérebro vai se acostumando com essa velocidade. O problema é que a mente humana não foi feita para funcionar nesse excesso o tempo inteiro. Em algum momento vem ansiedade, irritação, dificuldade de concentração, cansaço mental e até dificuldade para dormir. E existe uma coisa curiosa: muita gente hoje tem medo do silêncio porque o silêncio faz aparecer aquilo que ela estava tentando evitar. Por isso tanta gente não consegue mais esperar em fila sem pegar o celular. Não consegue fazer uma caminhada sem colocar alguma coisa no ouvido. Não consegue nem ficar sozinha sem procurar distração imediatamente. O silêncio deixou de ser descanso e virou desconforto. Talvez por isso as pessoas estejam tão cansadas emocionalmente. Porque o cérebro não descansa nunca. Ele só muda de estímulo. E talvez uma das habilidades mais importantes daqui pra frente seja justamente reaprender a ficar em silêncio sem sentir angústia por causa disso. Locução: Dina Rachid